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Composição simples: menos ingredientes significa melhor?
Entenda como comparar produtos pela composição e por que uma lista menor não é, sozinha, garantia de qualidade.
Por Minha Escolha

Composição simples ganha espaço nos alimentos
A composição dos alimentos industrializados está passando por mudanças. Empresas vêm reformulando produtos para reduzir determinados aditivos e apresentar alternativas com listas de ingredientes mais simples, acompanhando uma mudança nas expectativas dos consumidores.
A própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reconhece essa tendência. Em documento técnico sobre aditivos alimentares, a agência afirma que existe uma tendência mundial de reformulação de alimentos e bebidas processados para diminuir o uso de aditivos e tornar a lista de ingredientes mais simples e compreensível.
O movimento também aparece nas estratégias anunciadas por grandes empresas do setor.
Por que as empresas estão reformulando?
A composição dos alimentos passou a receber mais atenção dos consumidores.
Além das informações nutricionais, a lista de ingredientes permite identificar quais matérias-primas, aditivos e outros componentes fazem parte da formulação de um produto.
No Brasil, a legislação determina que os ingredientes sejam apresentados em ordem decrescente de proporção. Em outras palavras, os ingredientes utilizados em maior quantidade aparecem primeiro na lista.
Os aditivos alimentares também precisam ser declarados na lista de ingredientes, de acordo com as regras de rotulagem.
Isso faz com que a composição seja uma das principais fontes de informação disponíveis para quem compara produtos.
Menos ingredientes virou uma tendência?
A redução da quantidade de ingredientes não é uma regra que determine sozinha se um alimento é melhor ou pior.
Um produto com poucos ingredientes pode apresentar características nutricionais diferentes de outro com uma lista maior. Da mesma forma, a presença de um aditivo não significa automaticamente que o alimento seja inadequado.
A Organização Mundial da Saúde explica que os aditivos são utilizados principalmente por razões tecnológicas, como conservação, segurança, estabilidade e características sensoriais. Também destaca que os aditivos passam por avaliações de segurança antes de serem autorizados para uso.
Por isso, a discussão sobre composição envolve mais do que simplesmente contar quantos ingredientes aparecem no rótulo.
A indústria já está mudando
A tendência pode ser observada em lançamentos e reformulações recentes.
A PepsiCo, por exemplo, anunciou uma agenda de inovação com produtos que removem corantes e aromatizantes artificiais, utilizam ingredientes mais simples e incorporam características como maior quantidade de proteínas, fibras e grãos integrais.
A empresa também informou em seu relatório anual de 2025 que avançava na remoção de corantes e aromatizantes artificiais de produtos de marcas como Lay's, Cheetos e Doritos, além de trabalhar na redução de açúcar adicionado, sódio e gordura saturada em algumas marcas.
Outro exemplo é a linha Simply, da PepsiCo, que reúne produtos sem adição de corantes ou aromatizantes artificiais em determinadas categorias.
Esses movimentos mostram que a composição passou a fazer parte da estratégia de desenvolvimento de novos produtos.
Mas uma lista menor não conta toda a história
A quantidade de ingredientes é apenas uma das informações que podem ser utilizadas na comparação.
Também é importante observar:
- quantidade de açúcar;
- quantidade de sódio;
- gordura saturada;
- proteínas;
- fibras;
- presença de alergênicos;
- ingredientes utilizados;
- aditivos presentes;
- tamanho da porção;
- características específicas da categoria.
Um produto não se torna automaticamente melhor apenas porque possui uma lista menor.
Da mesma forma, uma lista extensa não significa automaticamente que o produto seja inadequado.
O que muda para o consumidor?
A principal mudança é que a composição ganha mais importância na decisão de compra.
Em vez de comparar apenas marcas, embalagens ou preços, o consumidor pode analisar diretamente o produto e suas características.
A Anvisa afirma que as regras de rotulagem têm justamente o objetivo de fornecer informações que auxiliem o consumidor na escolha dos alimentos.
Com empresas reformulando produtos e lançando alternativas com diferentes propostas de composição, comparar essas informações tende a se tornar cada vez mais relevante.
A composição virou parte da escolha
A discussão sobre ingredientes não significa que todos os aditivos sejam ruins ou que qualquer produto com uma lista longa deva ser evitado.
O que está mudando é a quantidade de informação disponível e o interesse do consumidor por ela.
Produtos da mesma categoria podem ter formulações diferentes, e essas diferenças podem ser identificadas diretamente no rótulo.
Por isso, antes de escolher um produto, vale olhar além da embalagem.
A composição também faz parte da escolha.
Fontes
- Anvisa, Informe Técnico nº 70 sobre aditivos alimentares e tendências de reformulação.
- Anvisa, regras de declaração da lista de ingredientes.
- Organização Mundial da Saúde, Food Additives.
- PepsiCo, prioridades de inovação e reformulação de produtos.